A planta
Apesar de bastante conhecida no Nordeste do Brasil ainda não há um consenso sobre qual a classificação exata da planta popularmente conhecida por Jurema.
A Jurema (Acacia Jurema mart.) é uma das muitas espécies das quais a acacia é o gênero. Várias espécies de Acácia nativas do nordeste brasileiro recebem o nome popular de Jurema.
As Acácias sempre foram consideradas plantas sagradas por diferentes povos e culturas de todo o mundo; Os Egípcios e Hebreus veneravam a "Acacia nilotica" (Sant, Shittim, Senneh), os Hindus a "Acacia suma" (Sami), os Árabes a "Acacia arabica" (Aluazá), os Incas e outros povos indígenas da América do sul veneravam a "Acacia cebil"(vilca, Huillca, Cebil), os nativos do Orinoco a "Acacia niopo" (Iopó) e os índios do nordeste brasileiro tinham na "Acacia jurema" (Jurema, Jerema, Calumbi) a sua árvore sagrada, a sua Acacia, ao redor da qual desenvolveu-se essa tradição hoje conhecida como "Jurema sagrada".
Culto
O culto da Jurema está para a Paraíba e Pernambuco, assim como o de Irocô está para a Bahia. Esta arvore tipicamente nordestina, era venerada pelos indígenas potiguaras e tabajaras, da Paraíba, muitos séculos antes da chegada dos europeus ao Brasil.
Em Pernambuco, existe um município cujo nome é Jurema devido a grande quantidade destas árvores que ali se encontra.
A jurema (mimosa hostilis), depois de crescida, é uma frondosa árvore que vive mais de 200 anos. Todas as partes dessa árvore são aproveitadas: a raiz, a casca, as folhas e as sementes, utilizadas em banhos de limpeza, infusões, unguentos, bebidas e para outros fins ritualísticos.
Os devotos iniciados nos rituais do culto são chamados de “Juremeiros”. Foi na cidade de Alhandra, município a poucos quilômetros de João Pessoa, que esse culto, na forma do Catimbó alcançou fama.
A Jurema já era cultuada na antiguidade por pelo menos dois grandes grupos indígenas, o dos tupis e o dos cariris também chamados de tapuias.
Origens
A jurema sagrada é remanescente da tradição religiosa dos indígenas que habitavam o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e no Sertão de Pernambuco e dos seus pajés, grandes conhecedores dos mistérios do além, plantas e dos animais.
No ano de 1742 é descrito numa denúncia ao rei de Portugal o ritual da Jurema pelos índios Sucuru e Canindé aldeados na Missão da Boa Vista no Brejo Paraibano:
... uzão dehuma bebida de huma rais que chamão Jurema; que transportando-os do seu Sintido ficão como mortos, equando entrão emSi dabebedeira, Contão as vizoens que o diabo lhes Reprezenta, Senão he que emSpirito os Leva as partes deque dão noticia. (CARTA do capitão-mor da Paraíba, Pedro Monteiro de Macedo ao rei D. João V. 1742, setembro, 22, Lisboa. AHU_ACL_CU_014, Cx. 11, D. 966.)
Depois da chegada dos africanos no Brasil, quando estes ainda estavam escravizados, encontravam abrigo em territórios indígenas (especialmente nas serras), e através desse contato, os africanos trocavam o que tinham de conhecimento religioso em comum com os indígenas. Por isso até hoje, os grandes mestres juremeiros conhecidos, são sempre mestiços com sangue indígena e negro.
Os africanos contribuíram com o seu conhecimento sobre o culto dos mortos/antepassados e das divindades da natureza os orixás, voduns e inquices.
Os índios, estes contribuíram com o conhecimento de invocações dos espíritos de antigos pajés e dos trabalhos realizados com os encantados das matas e dos rios.
Daí a jurema se compor de duas grandes linhas de trabalho: a linha dos mestres de jurema e a linha dos encantados.
Jurema Sagrada e a união afro-indígena
Conhecida também como Catimbó, o culto à Jurema mistura elementos afro-ameríndios e é mais difundido no nordeste do Brasil; a fumaça dos cachimbos, o respeito às ervas sagradas e os cânticos marcam os rituais.
O período da colonização foi marcado por rituais e cultos ligados à cultura indígena e afrodescendente. Dentre as religiões que apresentam seus primeiros registros nesta época, está a Jurema Sagrada, também conhecida como Jurema Nordestina ou Catimbó, de origem afro-ameríndia.
Por meio de cantos, danças, infusões, cachimbos e dizeres sagrados, indígenas se colocavam em contato com seus antepassados e com outros seres do plano espiritual. Aos olhos dos colonizadores e dos jesuítas, tais práticas eram um grande empecilho à divulgação da fé cristã em terras brasileiras. É o que diz o historiador Rainer Souza.
"A Jurema, na verdade, é uma árvore da caatinga e do agreste que tem sua casca utilizada para a fabricação de uma bebida mágica que concede força, sabedoria e contato com seres do mundo espiritual. Dessa maneira, o uso da árvore desencadeia a formulação de uma experiência religiosa com o mesmo nome", explica o historiador.
Para ele, os praticantes do catimbó são aqueles que se reúnem em terreiros ou casas para realizarem a ingestão da bebida feita a partir da árvore, empregando o uso de tabaco e buscando o contato com um mundo espiritual alcançado através do transe.
A mágica da Jurema Sagrada
A religiosidade da Jurema tem como tronco central uma árvore sagrada: a Jurema Preta (Mimosa hostilis ou Mimosa tenuiflora). "Esta árvore, que ao mesmo tempo é elemento essencial para o preparo da bebida sagrada de efeitos psicoativos, também é elemento mitológico que compõe o centro do mundo encantado das Cidades da Jurema".
Composta de saberes medicinais ancestrais, o cachimbo e o maracá são os elementos identitários mais visíveis materialmente da presença indígena nesta religião.

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